quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Eu e meu fascinio por livros, me levaram a ler "Mulheres de Aço e de Flores", no inicio fiquei meio arredia por ser do Padre Fábio de Melo. [Não que eu não seja temente a Deus ou seja atéia, claro que eu acredito em Deus, mas convenhamos que livros de cunho religioso nem sempre tem uma certa qualidade]. O fato é que eu simplesmente adorei o livro! Lembra bastante Clarice Lispector, linguagem polida, significados ocultos e inúmeras metáforas. E apesar de ainda não ter terminado de ler, um conto me chamou a atenção, e por essa razão resolvi postar um trecho aqui e deixar a minha recomendação, apesar do titulo duvidoso é um ótimo livro!

Segue o trecho abaixo, espero que isso não seja ilegal! xD



"Um pavio queimando cera não conserta conduta de homem infiel. Melhor seria se houvesse reza forte para curar amor de mulher. Quem sabe assim eu poria fogo nas calças de Elviro, em vez de perfumá-las. Quem sabe salgaria o seu feijão com minhas lágrimas e o privaria de seu prazer no meio do dia.
Quem sabe assim eu sairia de casa, batendo portas e gritando desaforos cheios de voz e expressão. Mas não. Deixo assim. O bule de café sempre pronto, a xícara sem plumas de panos de prato, a mesa posta, o cordeiro com alecrim, os sabores de Elviro.
Eu sou barroca. Elviro é gótico. A beleza dele é minha inveja, e a minha devotada fidelidade é seu cabresto. Elviro não sabe que sei, e às vezes me esqueço disso, mas Elviro é meu cão. Sarnento, pulguento e vira-lata, mas é meu. Tenho a coleira,mas não a ponho. Cachorro vira-lata não sabe viver no cativeiro. Eu deixo que ele vá quando quer, porque sei que ele volta. E quando volta há sempre uma ração de amor preparada. Ração farta, vigorosa, substanciosa.
Elviro está acabando com os meus dias de vida, mas o meu pote de ração eu não deixo esvaziar nunca. Sou de aço, não quebro fácil."